- Como é feito o
tratamento?
- Qual a importância
das atividades físicas?
- Como tratar os distúrbios
de fala e voz?
- Como é o
tratamento medicamentoso?
- Quais são os
medicamentos utilizados?
- Quais são os
medicamentos utilizados para diminuir a atividade colinérgica?
- Que outros
medicamentos são utilizados no tratamento?
- Quais são os
efeitos colaterais desses remédios?
- Quais são os
agonistas dopaminérgicos?
- Como tratar a
depressão?
- Como é o
tratamento cirúrgico?
- Quais são os
tipos de cirurgia?
- Quais são os
efeitos da cirurgia?
- Quais são os
riscos da cirurgia?
- Existem outras
alternativas de tratamento?

Como é feito o tratamento?
Como é uma doença lenta, gradualmente progressiva
(doença degenerativa) e sem uma cura radical, os pacientes
e seus familiares podem demonstrar um impacto emocional ao
primeiro informe sobre a existência da enfermidade.
Entretanto, costuma haver uma boa adaptação dos
pacientes a essa nova realidade de suas vidas. Existem inúmeros
tratamentos que garantem aos pacientes uma longevidade semelhante
à que teriam sem a enfermidade e uma vida normal por longos
anos.
[sobe]
Qual a importância das
atividades físicas?
A atividade física é parte fundamental na
preservação das funções motoras dos
pacientes parkinsonianos.
Os problemas físicos são em grande parte
resultantes da imobilidade. Um paciente ativo sempre terá
menor possibilidade de desenvolver complicações clínicas
gerais em comparação aos que se acomodam,
permanecendo sentados ou deitados a maior parte do tempo.
Os familiares devem motivar os pacientes a desempenhar
atividades fora do lar, fazer caminhadas, exercícios, ginástica,
natação, enfim, tudo que os coloque em movimento. A
maioria costuma se recolher no lar e fazer o mínimo de
exercícios, isso deve ser motivo de muita atenção
por parte dos acompanhantes e dos familiares.
Quando há a possibilidade de uma fisioterapia, conduzida
por algum profissional da área ou mesmo menos elaborada,
por algum acompanhante, os resultados logo aparecerão.
[sobe]
Como tratar os distúrbios de
fala e voz?
Os distúrbios de fala e da voz, disartria e hipofonia
(dificuldades na articulação da fala e uma voz com
pouco volume, baixa), contribuem para o isolamento dos pacientes.
Uma ajuda foniátrica, com exercícios dirigidos às
deficiências, costuma produzir excelente resultado, com
ganhos indiretos para os distúrbios da deglutição,
quando existem.
O método mais útil na atualidade é o método
de Lee Silverman, em uso por muitos fonoaudiólogos em nosso
país. O fator limitante nesse caso, é econômico.
Trata-se de um novo enfoque foniátrico em que o terapeuta
ensina os pacientes a desenvolverem uma voz de maior potência,
mais alta. Trata-se de um tratamento para a voz, que se apresenta
muito deprimida nos pacientes. O lema do tratamento é "think
loud" (pense alto).
[sobe]
Como é o tratamento
medicamentoso?
O tratamento da doença de Parkinson com medicamentos,
leva em conta as alterações bioquímicas que
ocorrem no cérebro dos pacientes. As células
atingidas pela enfermidade produzem a dopamina, uma substância
muito importante para o funcionamento de áreas motoras
cerebrais. Ela, quando diminuída, produz um desequilíbrio
bioquímico nas áreas afetadas, com aumento da
atividade de outro sistema químico, chamado colinérgico.
Desse desequilíbrio originam-se grande parte dos sintomas
parkinsonianos, apesar de haver outras alterações químicas
na doença.
Medicamentos que aumentem a atividade dopaminérgica (que
está diminuída) ou que diminuam a atividade colinérgica
(que está aumentada) podem ser de utilidade.
Esses remédios podem ser usados isoladamente ou em
associação, dependendo da estratégia que o médico
deseja manter em cada fase da enfermidade. Essa estratégia,
que se constitui na parte mais importante do tratamento, deverá
ser definida pelo médico, em função de cada
paciente.
A automedicação, sem a orientação do
médico assistente, poderá acarretar sérios
problemas em função da peculiaridade da ação
e dos efeitos colaterais das drogas apresentadas.
[sobe]
Quais são os medicamentos
utilizados?
Existem alguns grupos de medicamentos:
- os anticolinérgicos: capazes de bloquear a atividade
colinérgica, que está aumentada no parkinsonismo.
São utilizados há muitas décadas, mas ainda
muito úteis;
- a levodopa, substância chave no tratamento;
- a amantadina, substância com atividade anticolinérgica
e aditiva para a levodopa;
- a selegilina (L-deprenil), também um coadjuvante para
a levodopa, com pretensa ação retardadora da evolução
da doença (infelizmente não confirmada);
- os agonistas dopaminérgicos diretos: drogas que atuam
estimulando os receptores cerebrais de dopamina diretamente, sem
a presença da dopamina;
- os inibidores da COMT, novas drogas que conseguem aumentar a
disponibilidade da levodopa no sangue e no cérebro.
[sobe]
Quais são os medicamentos
utilizados para diminuir a atividade colinérgica?
Não existe um único medicamento para diminuir a
atividade colinérgica. O medicamento a ser adotado depende
do estágio em que a doença se encontra, da idade do
paciente, da tolerância do organismo ao medicamento e outros
fatores. Com o passar do tempo e com a evolução da
doença, cujo ritmo é muito individual, a atividade
de alguns medicamentos pode diminuir e é necessário
reajustar as doses diárias ou adotar uma nova classe de
drogas. A associação de medicamentos pode ser necessária
para aumentar a potência e eficiência de alguns
medicamentos, porém com risco de piora das manifestações
colaterais.
- Trihexifenidil e biperideno são medicamentos disponíveis
no mercado brasileiro. Em doses habituais, ambos são
muito bem tolerados. Quanto mais jovem o paciente, menores as
chances de desenvolverem reações colaterais.
Pacientes idosos podem não tolerar esses medicamento.
- Amantadina: é muito eficaz e habitualmente utilizada
nas fases iniciais, junto a anticolinérgicos ou, em fases
mais tardias, associada à levodopa. Tem alguma ação
parecida com a dos anticolinérgicos, podendo ainda
aumentar a potência da levodopa.
[sobe]
Que outros medicamentos são
utilizados no tratamento?
- A selegilina: também conhecida pelo nome de
L-deprenil, possui ação sintomática e também
age como um potencializador da ação da levodopa. Não
há, até o momento, um acordo sobre o seu principal
mecanismo de ação. Nos pacientes que tomam a
selegilina, é possível retardar-se a introdução
da levodopa.
- Levodopa: é droga mais potente e eficaz no tratamento
sintomático do parkinsonismo. O paciente pode se ver
livre de todos os sinais e sintomas da enfermidade, por longos
períodos. Com o passar do tempo e com a evolução
da doença, cujo ritmo é muito individual, diminui
a sua atividade e é necessário reajustar as doses
diárias. A associação com medicamentos como
a selegilina ou a amantadina, pode também aumentar a potência
da ação da levodopa, melhorando a sua eficiência,
porém com risco de piora das manifestações
colaterais. Felizmente, além de ser a droga mais ativa, a
levodopa costuma ser a mais bem tolerada, mesmo por pacientes em
grupos de idade avançada.
Quando o efeito da levodopa começa a diminuir, ocorrem
flutuações no rendimento do tratamento, ou seja, o
paciente pode ter pioras abruptas, como se o medicamento não
estivesse agindo, melhoras também abruptas e um
encurtamento do tempo de ação do medicamento. Neste
caso, pode haver a indicação de uma nova classe de
drogas - os inibidores da COMT como o tolcapone ou o entacapone ou
de agonistas dopaminérgicos (pergolida, pramipexol,
piribedil). Essas drogas inibem uma enzima chamada COMT, a qual
transforma a levodopa num composto chamado 3-0-metildopa, que não
interessa ao cérebro. Sendo inibida esta transformação,
sobra mais levodopa para atingir o cérebro e maior
quantidade de dopamina se formará.
[sobe]
Quais são os efeitos colaterais
desses remédios?
Alguns pacientes, especialmente idosos, podem desenvolver reações
psíquicas ou mentais desfavoráveis que representavam
problemas de solução difícil. Atualmente,
dispõem-se de drogas que antagonizam as reações
psicóticas, sem determinar agravamento dos sintomas
parkinsonianos. Essas drogas exigem uma supervisão médica
especializada e constituem um avanço terapêutico em
situações como as descritas.
Outros pacientes podem desencadear ao longo do tempo movimentos
involuntários de vários tipos (discinesias da
levodopa), ou flutuações do rendimento, referidas
anteriormente, com oscilações ao longo do dia, muito
desagradáveis.
Essas são as principais complicações de
longo prazo da utilização da levodopa e que levaram à
procura de alternativas novas no tratamento.
[sobe]
Quais são os agonistas dopaminérgicos?
A bromocriptina foi a primeira dessas drogas, introduzida nos
anos setenta, seguida da lisurida e da pergolida. Todas elas têm
mecanismo de ação mais ou menos semelhante. São
necessárias doses diárias relativamente altas, que
devem ser alcançadas com aumentos lentos e graduais ao
longo de algumas semanas. Atualmente, dois novos compostos têm
sido eficazes e muito bem tolerados por pacientes: o pramipexol e
o ropinirol este ainda não introduzido no Brasil.
[sobe]
Como tratar a depressão?
Alguns pacientes, devido à freqüente associação
do parkinsonismo com estados de depressão psíquica,
requerem o uso simultâneo de algum antidepressivo.
Os antidepressivos tricíclicos ou tetracíclicos
podem ser muito úteis, porém a tolerância a
eles se reduz com o aumento da idade. Nesses casos, outros
compostos, com mecanismos de ação diferentes, como a
amineptine e os agonistas serotoninérgicos e noradrenérgicos
são opções ao tratamento. Sua tolerância
é muito boa, mesmo em idades mais avançadas, porém
são medicamentos mais caros.
[sobe]
Como é o tratamento cirúrgico?
Recentemente, houve uma revitalização das
cirurgias destinadas ao tratamento da doença de Parkinson.
As cirurgias disponíveis no momento não são
curativas, mas atuam fortemente nos sintomas e sinais da
enfermidade. No final da década de 40, foram introduzidas
as cirurgias estereotáxicas que produziam uma pequena lesão
por coagulação em uma área do tálamo,
estrutura situada em região profunda e central do cérebro.
[sobe]
Quais são os tipos de
cirurgia?
O nome da cirurgia depende da estrutura que se deseja atingir e
produzir a pequena lesão. As lesões nos núcleos
do tálamo são chamadas de talamotomias, na região
inferior ao tálamo são as subtalamotomias, no núcleo
denominado de globo pálido são as palidotomias.
Todas elas são realizadas com a mesma técnica, porém
o "alvo" a ser atingido é diferente. Essas
estruturas estão situadas a pouca distância uma das
outras, porém as funções são
distintas. Dependendo do objetivo a ser alcançado,
realiza-se uma ou outra.
[sobe]
Quais são os efeitos da
cirurgia?
A cirurgia em um lado do cérebro vai produzir efeitos no
lado oposto do corpo, e por isso, os sintomas unilaterais, ou
chamados assimétricos, são mais simples para uma
solução cirúrgica. No entanto, há
casos em que cirurgias bilaterais são indicadas.
A cirurgia não veio substituir o tratamento com
medicamentos e sim, proporcionar melhoras em vários
aspectos nos quais os medicamentos não mais se mostram
eficazes.
As cirurgias estereotáxicas são realizadas em vários
centros brasileiros, com a mesma técnica utilizada nos países
europeus ou norte-americanos.
[sobe]
Quais são os riscos da
cirurgia?
Os riscos são relativamente pequenos pois, os "alvos",
reduzidos em tamanho, são cuidadosamente selecionados e
testados com estimulação antes de serem coagulados.
Todo o procedimento é realizado com anestesia local, sem
dor e sem os riscos adicionais da anestesia geral. Entretanto,
como qualquer cirurgia, algum risco sempre existe e deverá
ser discutido com o médico assistente.
[sobe]
Existem outras alternativas de
tratamento?
Além dessas cirurgias, outros procedimentos
experimentais, como a implantação de eletrodos
(marca-passos) em áreas profundas do cérebro,
recentemente introduzido em nosso país, e o implante de células
fetais como forma de reparar o desaparecimento das células
pela enfermidade, têm sido realizados em várias
partes do mundo. Ainda são experiências, porém
estão abrindo horizontes para novos tratamentos.
Os implantes de eletrodos já estão adquirindo o
status de tratamento corrente em vários locais.
O imenso volume de pesquisas no tratamento e na elucidação
das causas da enfermidade, seguramente trarão soluções
mais eficazes para os problemas existentes.
Existe otimismo sobre as possibilidades futuras e este
sentimento deve ser compartilhado com toda a comunidade de
pacientes, seus familiares e acompanhantes.
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[Descrição]
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[Tratamento]
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