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Hiperidrose
Dr. Paulo
Kauffman
Hiperidrose ou transpiração excessiva é
considerada uma doença psicossomática que se
caracteriza por transpiração excessiva,
particularmente nas mãos (hiperidrose palmar), nos pés
(hiperidrose plantar) e nas axilas (hiperidrose axilar) sem que
haja motivação aparente para que isso ocorra. O
aumento da secreção sudoral pode ser primário,
constituindo a hiperidrose primária ou essencial, também
conhecida como hiperidrose emocional, ou secundário,
associado, geralmente, a doenças endócrinas
(diabetes, hipertireoidismo, feocromocitoma etc.).
Por que
transpiramos?
Quais são as
causas da hiperidrose?
Há predominância
em algum sexo?
Em que época
da vida ocorre?
Qual a importância
clínica dessa doença?
Como é feito
o diagnóstico?
Quais são os
tipos de tratamento?
Como é o
tratamento clínico?
Como é o
tratamento cirúrgico?
Quais as conseqüências
do tratamento cirúrgico?

Por que transpiramos?
A transpiração constitui mecanismo importante
na regulação térmica do corpo; aumenta
normalmente em algumas circunstâncias como, por exemplo,
quando há elevação da temperatura
ambiente, exercícios físicos e estímulos
psíquicos (medo, emoções violentas,
etc.). A secreção do suor é estimulada
pelo sistema nervoso simpático que constitui parte do
chamado sistema nervoso autônomo (funciona independente
da nossa vontade). Há dois tipos de glândulas
produtoras de suor no organismo humano: as écrinas e as
apócrinas. As primeiras existem distribuídas por
toda a superfície do corpo, predominando na palma das mãos
e planta dos pés, e produzem secreção
sudoral clara e diluída; as segundas situam-se nas
axilas, ao redor dos mamilos e, na mulher, no Monte de Vênus
e grandes lábios, produzindo secreção
espessa e de odor característico.
[sobe]
Quais são as causas da
hiperidrose?
Não se conhece exatamente o mecanismo determinante da
hiperidrose essencial. Admite-se que haja hiperatividade
constitucional do sistema nervoso simpático em indivíduos
que são emocionalmente instáveis. Quando o
paciente está sedado ou dormindo não ocorre
sudorese.
[sobe]
Há predominância em
algum sexo?
Não. Incide igualmente em pacientes do sexo masculino
e feminino. Ocorre que a mulher, por seu próprio
temperamento, aceita menos esta condição,
procurando tratamento com maior freqüência do que
os homens. Daí a aparente prevalência da doença
nas mulheres.
[sobe]
Em que época da vida
ocorre?
Costuma surgir na infância, agravando-se na época
da puberdade, período de transição onde a
instabilidade emocional se acentua, pois o indivíduo
deixa de ser criança e não é considerado
adulto. Algumas vezes há melhora da condição
com o amadurecimento psíquico do paciente, porém,
muitas vezes, a hiperidrose persiste durante toda a vida. Em
raras ocasiões surge na idade adulta.
[sobe]
Qual a importância clínica
dessa doença?
A hiperidrose palmar predomina sobre a plantar e axilar na
queixa do paciente. Entende-se esse fato porque as mãos
constituem segmento de relação do indivíduo
com outras pessoas e também com o meio em que vive. As
extremidades afetadas, por transpirarem excessivamente,
apresentam-se frias e, por vezes, arroxeadas. Esta manifestação,
evidentemente, causa embaraços, tanto de ordem social
como profissional. O indivíduo tende a se isolar,
evitando festas, reuniões sociais e, até mesmo,
namoro, pois sente-se envergonhado em molhar tudo no que toca;
anda permanentemente com um lenço nas mãos para
secá-las. Do ponto de vista profissional, a hiperidrose
palmar pode incapacitar o indivíduo para determinados
trabalhos. É o caso, por exemplo, de eletricistas,
eletrotécnicos e todas as profissões que
implicam em manipulação de materiais elétricos.
Quanto à hiperidrose axilar, além do
inconveniente da transpiração excessiva manchar
a roupa, as glândulas apócrinas podem sofrer
decomposição bacteriana, produzindo suor com
odor penetrante, conhecido como bromidrose. Costuma aparecer
na época da puberdade quando as glândulas apócrinas
atingem sua maturidade funcional e tem como fator agravante
condição precária de higiene; pode
associar-se a dermatites como, por exemplo, o eritrasma.
A hiperidrose plantar, em geral, acompanha a hiperidrose
palmar, é agravada pelo uso de calçados fechados
que ajudam a promover maceração da pele. Além
de poder ocasionar odor penetrante nas meias e sapatos, o
excesso de transpiração nos pés favorece
a ocorrência de infecções fúngicas
(micoses) ou bacterianas.
[sobe]
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é clínico, devendo-se
sempre afastar alguma das doenças endócrinas que
podem ocasionar a hiperidrose secundária. Tratando-se
de hiperidrose primária (emocional), há predominância
de sua ocorrência nas mãos e pés, podendo
se associar, algumas vezes, à hiperidrose axilar. A
história do paciente por si só já é
suficiente para diferenciar fenômeno primário do
secundário, pois, como foi dito anteriormente, o
excesso de suor geralmente ocorre desde a infância,
acentuando-se na época da puberdade. No exame físico,
constata-se a transpiração significativa nas
regiões citadas, que costuma ser bem evidente nessa
ocasião pela maior tensão emocional que o exame
médico acarreta.
[sobe]
Quais são os tipos de
tratamento?
Dependendo da intensidade, a hiperidrose pode ser tratada clínica
ou cirurgicamente.
O tratamento clínico é feito com substâncias
farmacológicas que inibem a sudorese, mas que podem
provocar efeitos colaterais desagradáveis, muitas vezes
intoleráveis, pois é necessário o emprego
de doses elevadas dessas drogas para se obter o efeito
desejado.
O tratamento cirúrgico consiste em retirar as glândulas
sudoríparas nas axilas, para o caso de hiperidrose
axilar, ou retirar a cadeia simpática, para o caso da
hiperidrose palmar.
[sobe]
Como é o tratamento clínico?
O tratamento clínico pode ser feito com:
- medicações anticolinérgicas para
inibir a passagem de impulsos através dos nervos
parassimpáticos e que tem como efeitos colaterais a
boca seca, alterações visuais, etc.
Bloqueadores de canal de cálcio podem ser úteis
em algumas situações com a finalidade de
reduzir a produção sudoral.
- Tranqüilizantes para reduzir temporariamente a
sudorese naqueles pacientes com forte componente emocional.
Apesar de ser considerada manifestação
psicossomática, o tratamento psiquiátrico não
tem mostrado resultados efetivos nos portadores de
hiperidrose.
- Uso tópico de antiperspirantes para obstruir os
dutos glandulares que podem ou sensibilizar ou irritar a
pele.
- Iontoforese: aplicação de uma corrente elétrica
na pele. O seu mecanismo de atuação ainda não
está esclarecido, mas supõe-se que possa haver
obstrução dos poros por hiperqueratose.
Mostrou-se efetivo em cerca de 80% dos pacientes, porém
não é uma maneira definitiva de tratar
hiperidrose palmar e plantar. Pode, algumas vezes,
desencadear o aparecimento de reações cutâneas.
- Injeção local de toxina botulínica: é
uma nova modalidade de tratamento da hiperidrose palmar, mas
seus resultados não são duradouros,
necessitando de repetições periódicas.
[sobe]
Como é o tratamento cirúrgico?
A hiperidrose axilar, quando se manifesta isoladamente, pode
ser tratada por excisão (retirada) de glândulas
sudoríparas da região com resultados bastante
satisfatórios.
No caso da hiperidrose palmar, o método terapêutico
mais adequado e mais duradouro é a simpatectomia
(retirada da cadeia simpática que é um cordão
de gânglios situado de ambos os lados da coluna).
Inicialmente, a simpatectomia era realizada com incisões
nas regiões supraclaviculares e tinha como maior
inconveniente a queda das pálpebras superiores (sinal
de Claude-Bernard-Horner), com diminuição da
fenda ocular, tornando o ato cirúrgico pouco aceitável
por parte dos pacientes.
No início da década de 90, foi desenvolvida a
simpatectomia torácica por vídeo-toracoscopia.
Esta operação é feita através de 3
mini-incisões em cada hemitórax (lado do peito)
e, com o auxílio de equipamento de vídeo,
retira-se o segmento da cadeia simpática responsável
pela inervação das glândulas sudoríparas
das mãos, sem mexer na parte dessa cadeia responsável
pela inervação dos olhos, evitando-se o sinal de
Claude-Bernard-Horner. Quando se quer tratar também de
hiperidrose axilar, um segmento um pouco mais extenso da
cadeia simpática, responsável pela inervação
das axilas, pode ser retirado.
Curiosamente, cerca de 30% dos pacientes submetidos a esta
operação melhoram da hiperidrose plantar, sem
que se encontre uma explicação anatômica
para o fato. O paciente tem alta hospitalar, em média,
24 horas após o ato cirúrgico.
[sobe]
Quais as conseqüências
do tratamento cirúrgico?
Após a retirada do segmento da cadeia simpática
torácica, em ambos os lados, para tratamento da
hiperidrose axilar e palmar, as mãos e axilas tornam-se
secas, havendo necessidade de utilização de
cremes hidratantes nas mãos.
O maior inconveniente da simpatectomia torácica por vídeo
é a hiperidrose vicariante (sudorese que, em geral,
aparece no tronco) e que pode ser acentuada em cerca de 30%
dos pacientes, particularmente em ambientes aquecidos e após
exercícios físicos. Com o passar do tempo, ou
esta hiperidrose vicariante pode melhorar ou o paciente se
adapta a ela. Apesar desse inconveniente, a grande maioria dos
pacientes refere satisfação plena com a operação.
[sobe]
Bibliografia

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[topo]
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