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Autismo Infantil
Prof. Dr.
Francisco B. Assumpção Jr.
Em 1943, o autismo foi conceituado pela
primeira vez por Leo Kanner, como uma doença da linha
das psicoses, caracterizada por isolamento extremo, alterações
de linguagem representadas pela ausência de finalidade
comunicativa, rituais do tipo obsessivo com tendência a
mesmice e movimentos estereotipados. Nessa abordagem, a doença
tinha suas origens em problemas das primeiras relações
afetivas entre mãe e filho, que comprometiam o contato
social, idéia extremamente difundida até meados
dos anos 70. Hoje, essa doença é definida como
um conjunto de sintomas de base orgânica, com implicações
neurológicas e genéticas. Atualmente, o autismo é
uma área de intenso interesse, em que diferentes
estudos se estabelecem e promovem desde alterações
conceituais até modificações terapêuticas
de fundamental importância.
O que é
autismo?
Quais são as
causas do autismo?
Quais são as
doenças relacionadas ao autismo?
Quais são os
sinais e sintomas do autismo?
Existe tratamento
para o autismo?
Quais são os
medicamentos utilizados no tratamento do autismo?
Em que consiste a
reabilitação da criança autista?
Como é a
educação especial para o autista?
Referências
Bibliográficas
Assuntos
Correlatos
O que
é autismo?
O autismo é descrito
como uma síndrome comportamental com causas múltiplas,
decorrente de um distúrbio de desenvolvimento. É
caracterizado por déficit na interação
social, ou seja, inabilidade para se relacionar com o outro,
usualmente combinado com déficit de linguagem e alterações
de comportamento. Os sinais e sintomas aparecem antes dos 3
anos de idade e, em cada 10.000 crianças, de quatro a
cinco apresentam a doença, com predomínio em
indivíduos do sexo masculino (3:1 ou 4:1).
[sobe]
Quais são as
causas do autismo? As causas
do autismo são desconhecidas mas diversas doenças
neurológicas e/ou genéticas foram descritas com
sintomas do autismo. Problemas cromossômicos, gênicos,
metabólicos e mesmo doenças
transmitidas/adquiridas durante a gestação,
durante ou após o parto, podem estar associados
diretamente ao autismo. Entre 75 a 80% das crianças
autistas apresentam algum grau de retardo mental, que pode
estar relacionado aos mais diversos fatores biológicos.
Portanto, a evidência de que o autismo tem suas causas
em fatores biológicos é indiscutível,
fazendo-nos reconsiderar a idéia inicial de ligarmos o
quadro de autismo a alterações nas primeiras
relações mãe-filho.
[sobe]
Quais são as
doenças relacionadas ao autismo?
Podemos listar uma série grande de doenças
das mais diferentes ordens envolvidas nos quadros autísticos:
- Infecções pré-natais - rubéola
congênita, sífilis congênita,
toxoplasmose, citomegaloviroses;
- Hipóxia neo-natal (deficiência de oxigênio
no cérebro durante o parto);
- Infecções pós-natais - herpes
simplex;
- Déficits sensoriais - dificuldade visual (degeneração
de retina) ou diminuição da audição
(hipoacusia) intensa;
- Espasmos infantis - Síndrome de West;
- Doenças degenerativas - Doença de
Tay-Sachs;
- Doenças gênicas - fenilcetonúria,
esclerose tuberosa, neurofibromatose, Síndromes de
Cornélia De Lange, Willians, Moebius,
Mucopolissacaridoses, Zunich;
- Alterações cromossômicas - Síndrome
de Down ou Síndrome do X frágil (a mais
importante das doenças genéticas associadas ao
autismo), bem como alterações estruturais
expressas por deleções, translocações,
cromossomas em anel e outras;
- Intoxicações diversas.
[sobe]
Quais são os sinais e
sintomas do autismo?
A criança autista prefere o isolamento. O autismo é
caracterizado por diversos distúrbios:
- de percepção, como por exemplo dificuldades
para entender o que ouve;
- de desenvolvimento, principalmente nas esferas motoras,
da linguagem e social;
- de relacionamento social, expresso principalmente através
do olhar, da ausência do sorriso social, do movimento
antecipatório e do contato físico;
- de fala e de linguagem que variam do mutismo total: à
inversão pronominal (utilização do você
para referir-se a si próprio), repetição
involuntária de palavras ou frases que ouviu
(ecocalia); e
- movimento caracterizado por maneirismos e movimentos
estereotipados.
[sobe]
Existe tratamento para o autismo?
Hoje, o tratamento do autismo não se prende a uma única
terapêutica. O uso de medicamentos, que antes
desempenhava um papel de fundamental importância no
tratamento (devido à crença da relação
do autismo com os quadros psicóticos do adulto), passa
a ter a função de apenas aliviar os sintomas do
autista para que outras abordagens, como a reabilitação
e a educação especial, possam ser adotadas e
tenham resultados eficazes.
[sobe]
Quais são os medicamentos
utilizados no tratamento do autismo?
As principais drogas que podem ser utilizadas no tratamento
são:
- Os neurolépticos, utilizados para reduzir os
sintomas do austismo. Têm uma resposta geral boa e
conseqüente melhoria do aprendizado, embora possa
apresentar efeitos colaterais como sedação
excessiva, reações distônicas (rigidez
mulcular), discinesia (alteração do movimento
muscular) e efeitos parkinsonianos (tremor);
- As anfetaminas, utilizadas na tentativa de diminuir a
hiperatividade e melhorar a atenção, mas têm
como efeitos colaterais o aparecimento de excitação
motora, a irritabilidade e a diminuição do
apetite;
- Os Anti-opióides, utilizados no tratamento de
dependência a drogas, têm sua ação
principalmente em quadros de auto-agressividade. Provoca
tranquilização, diminuição da
hiperatividade, da impulsividade, da repetição
persistente de atos, palavras ou frases sem sentido
(estereotipias) e da agressividade, causando como efeito
colateral a hipoatividade.
A utilização de complexos vitamínicos
como a Vitamina B6 associada ao Aspartato de Magnésio,
bem como o uso de Ácido Fólico, embora descritos
por diversos autores, apresenta aspectos e resultados
conflitantes.
[sobe]
Em que consiste a reabilitação
da criança autista?
A propostas de reabilitação substituem os
modelos psicoterápicos de base analítica das décadas
de 50 e 60, quando a doença era considerada uma conseqüência
de distúrbio afetivo. Esses modelos de reabilitação
podem então ser caracterizados como: ·
- Modificação de comportamento;
- Terapia de "Holding";
- Aproximação direta do paciente;
- Comunicação facilitada; ·
- Técnicas de integração sensorial; e
- Treino auditivo.
[sobe]
Como é a educação
especial para o autista?
Dentre os modelos educacionais para o autista, o mais
importante, neste momento, é o método TEACCH,
desenvolvido pela Universidade da Carolina do Norte e que tem
como postulados básicos de sua filosofia:
- a) propiciar o desenvolvimento adequado e compatível
com as potencialidades e a faixa etária do paciente;
- b) funcionalidade (aquisição de habilidades
que tenham função prática);
- c) independência (desenvolvimento de capacidades
que permitam maior autonomia possível);
- d) integração de prioridades entre família
e programa, ou seja, objetivos a serem alcançados
devem ser únicos e a estratégias adotadas
devem ser uniformes.
Dentro desse modelo, é estabelecido um plano terapêutico
individual, onde é definida uma programação
diária para a criança autista. O aprendizado
parte de objetos concretos e passa gradativamente para modelos
representacionais e simbólicos, de acordo com as
possibilidades do paciente.
[sobe]
Referências Bibliográficas
Schwartzman, J. S.; Assumpção Jr. F.B. -
Autismo Infantil. Mennon Eds.; São Paulo, 1995.
Assumpção Jr. F.B. - Transtornos Invasivos do
Desenvolvimento Infantil. Lemos Ed., São Paulo; 1997.
Gauderer, C. - Autismo, década de 80. Sarvier, São
Paulo; 1985.
Ritvo, E.E. - Autism: diagnosis, current research and
management. Spectrum Pub. Inc., 1976.
Kanner, L. - Childhood Psychosis. John Wiley & Sons, New
York, 1973.
Peeters, T. - L`autisme: de la commpréhension à
l´intervention. Dunod, Paris, 1996.
Barthelemy, C.; Hameury, L.; Lelord, G. - L`autisme de
l`enfant. Expansion Scientifique Française, Paris,
1995.
Volkmar, F.R. - Psychoses and Pervasive Developmental
Disorders in Dhildhood and Adolescence; Amerin Psychiatric
Hess Inc., Washington, 1996.
Assuntos correlatos
Retardo Mental

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