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Notícias Fevereiro2002

Treinamento pode melhorar o declínio da memória em idosos
Fonte: Neuron, 16/02/2002

Estudos utilizando uma técnica de imagem que mede a atividade cerebral indicam que algumas deficiências cognitivas associadas com a idade podem não ser complemente irreversíveis. Ao comparar a atividade cerebral de adultos jovens e mais velhos, os pesquisadores notaram que um tipo de deficiência do processo da memória geralmente observado na idade avançada poderia ser melhorado através de treinamento.

Em um artigo que publicado hoje na edição online do periódico Neuron, Randy Buckner, pesquisador do Instituto Médico Howard Hughes na Universidade de Washington em St. Louis, e seus colegas, relataram que quando pessoas em idade avançada eram solicitadas a utilizar a memória, elas mostraram dois tipos distintos de deficiências no processo cognitivo - chamadas "sub-recrutamento" e "recrutamento não-seletivo".

No sub-recrutamento, pessoas mais velhas são menos capazes de usar áreas específicas do cérebro que auxiliam no processo da memória. No recrutamento não-seletivo, pessoas mais velhas tendem a usar regiões do cérebro que não são úteis nas tarefas de processamento da memória.

Em seus estudos, os cientistas utilizaram a imagem por ressonância magnética funcional (fMRI), que pode mapear precisamente o fluxo de sangue no cérebro. Maior fluxo sangüíneo reflete maior atividade em regiões do cérebro que são utilizadas durante as tarefas mentais.

Os cientistas se concentraram na imagem de três áreas do córtex frontal. Duas delas estavam no hemisfério esquerdo e uma no hemisfério direito do cérebro. Visto que o hemisfério esquerdo é dominante no processo da linguagem, seria esperado que as regiões naquele hemisfério mostrassem maior atividade durante a memorização de palavras, enquanto o hemisfério direito permaneceria inativo. A terceira área do córtex frontal que os pesquisadores estudaram é conhecida como córtex pré-frontal, que está envolvida na memorização efetiva do conteúdo verbal.

62 pessoas participaram dos estudos. Os adultos mais jovens estavam em seus 20 anos, e os adultos mais velhos estavam em seus 70 e 80 anos. Os adultos mais velhos eram saudáveis e livres de quaisquer sinais de desordens mentais tais como a doença de Alzheimer.

Os cientistas conduziram dois tipos de experimentos em que os participantes foram solicitados a lembrar de palavras apresentadas previamente.

No primeiro estudo, foram simplesmente mostradas palavras aos adultos mais jovens e mais velhos e solicitados a relembrá-las posteriormente. "Como estudos anteriores mostraram, nós confirmamos que os adultos mais velhos não utilizaram as regiões frontais críticas tanto quanto os adultos mais jovens", disse Buckner. Os adultos mais velhos também demonstraram o recrutamento não-seletivo das regiões corticais que não auxiliariam o processo da memória, disse ele.

Em seguida, Buckner e seus colegas buscaram determinar se essa deficiência poderia ser remediada fornecendo aos participantes uma estratégia para auxiliar o processo da memória. No segundo experimento, as palavras foram apresentadas uma de cada vez e os participantes deveriam classificar as palavras - por exemplo, se ela era abstrata ou concreta. Os adultos mais velhos demonstraram atividade maior nas regiões frontais e seus desempenhos de memória melhoraram".

Os resultados sugerem que o treinamento cognitivo que encoraja os adultos mais velhos a utilizar as áreas do córtex frontal disponíveis possa melhorar a memória. A pesquisa não demonstrou ainda exatamente que tipo de treinamento seria mais efetivo, embora Buckner e seus colegas estejam no momento começando a estudar esta questão.


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