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| Poluição do ar pode
causar doença no coração |
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| Fonte: JAMA, 21/12/2005 |
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Pesquisadores da New York University School of Medicine
fornecem evidências que exposição à
poluição do ar - mesmo dentro dos níveis
dos padrões aceitos pela legislação
federal - causa doenças no coração.
Estudos prévios ligaram poluição do ar à
doença cardiovascular mas até então não
era bem entendido como a poluição danificava os
vasos do organismo.
Em um estudo com camundongos que respiraram ar tão
poluído quanto o da cidade de Nova York, os
pesquisadores focaram mecanismos específicos e
mostraram que o ar poluído pode ser particularmente
danoso quando associado à dieta rica em gordura.
Segundo Lung Chi Chen, Ph.D., professor associado de
medicina ambiental na NYU School of Medicine autor principal
do estudo, "nós conseguimos estabelecer uma relação
causal entre a poluição do ar e aterosclerose".
A aterosclerose - endurecimento, estreitamento e obstrução
das artérias, é um importante componente da doença
cardiovascular.
O estudo, realizado em colaboração com o Mount
Sinai School of Medicine e University of Michigan, examinou os
efeitos de partículas suspensas medindo menos do que
2,5 microns (PM2,5). As emissões são de plantas
de energia e exaustão de veículos. Desde 1997, o
US Environmental Protection Agency (EPA) regulou PM2.5,
limitando a exposição anual a não mais do
que 15 microgramas por metro cúbico. Essas pequenas
partículas de poeira, fuligem e fumaça causa
cerca de 60.000 mortes prematuras a cada ano nos EUA.
Dr. Chen e seus colegas dividiram 28 camundongos,
geneticamente propensos a desenvolver doença
cardiovascular, em dois grupos: um com dieta normal e outro
com dieta rica em gorduras. Durante os 6 meses seguintes,
metade dos camundongos em cada grupo dietético respirou
ou ar filtrado ou ar contendo P2.5 numa concentração
de 5,2 microgramas por metro cúbico.
Os pesquisadores conduziram uma série de testes para
medir se a exposição PM2,5 tinha algum impacto
sobre a saúde cardiovascular dos camundongos. De um
modo geral, camundongos que respiraram ar poluído
estavam piores do que aqueles que inalaram ar filtrado. Mas
quando associado com a dieta rica em gordura, o impacto à
exposição PM2,5 foi muito mais acentuado. Os
resultados acrescentaram uma relação de
causa-efeito clara entre a exposição à
PM2,5 e aterosclerose, de acordo com o estudo.
De um modo geral, camundongos que respiraram ar poluído
tinham muito mais placas do que aqueles que respiraram ar
filtrado. Em seções transversais da aorta, os
camundongos em dieta normal e expostos à PM2,5 tinham
19,2% da artéria preenchida com placa, os depósitos
de gordura que obstruem as artérias. As artérias
daqueles que inalaram ar filtrado, estavam 13,2% obstruídas.
Entre os que consumiram dieta rica em gordura, aqueles
expostos a PM2,5 tinham artérias com 41,5% de osbtrução
por placas, ao passo que aqueles que respiraram ar filtrado
tinham 26,2% de obstrução. Em ambos os grupos -
dieta normal e rica em gorduras - a exposição a
PM2,5 aumentava os níveis de colesterol, que agrava o
acúmulo de placas.
Embora o aumento de placas entre os camundongos ingerindo
dieta normal não fosse estatisticamente significante,
Dr. Chen acredita que pesquisas futuras com maior número
de animais solidificará a tendência. Dr. Chen
acredita que a exposição a PM2,5 pode afetar
muito, mesmo as pessoas que não ingiram dietas ricas em
gorduras.
Camundongos expostos ao PM2,5 também pareciam
inclinados a desenvolver pressão sangüínea
alta, outro elemento da doença cardiovascular, pois as
artérias se tornaram menos elásticas. Para medir
a tensão nas artérias, os pesquisadores testaram
como os neurotransmissores serotonina e acetilcolina afetaram
os arcos aórticos. As artérias dos camundongos
expostos ao PM2.5 eram menos elásticas do que do grupo
de controle, contraindo mais na presença de serotonina
e relaxando menos em resposta à acetilcolina. Mais uma
vez, os camundongos alimentados com dieta rica em gordura
tiveram efeitos mais pronunciados com o ar poluído.
Finalmente, os pesquisadores também examinaram várias
medidas de inflamação vascular, que está
envolvida na aterosclerose em graus variados. Nas aortas dos
camundongos expostos a PM2,5, por exemplo, eles descobriram níveis
aumentados de macrófagos, células imunes que são
um importante ingrediente nos depósitos de placa e também
participantes ativos no caminho bioquímico associado à
inflamação. O estudo revelou diversos sinais que
este caminho estava mais ativo, fortalecendo a conexão
entre partículas suspensas e doença
cardiovascular.

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