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Notícias Abril de  2007

Ômega -3 pode ajudar a prevenir lesões cerebrais da doença de Alzheimer
Fonte: The Journal of Neuroscience, 18/04/2007

Um tipo de ácido graxo ômega -3 pode retardar o crescimento das duas principais lesões cerebrais que são características da doença de Alzheimer, descobriram pesquisadores da UC Irvine. A descoberta sugere que dieta rica em ácido docosa-hexaenóico (DHA) pode ajudar a prevenir o desenvolvimento da doença de Alzheimer na velhice.

Este estudo com camundongos modificados geneticamente é o primeiro a mostrar que DHA, um ácido graxo ômega-3, pode retardar a acumulação de tau, uma proteína que leva ao desenvolvimento de emaranhados neurofibrilares. Tais emaranhados são uma das duas características de lesões cerebrais da doença de Alzheimer.

Também foi descoberto que o DHA reduz os níveis de proteína beta amilóide, que pode se acumular no cérebro e formar placas, a outra lesão da doença de Alzheimer. Estudos anteriores mostraram que o DHA pode ter valor terapêutico para pacientes de Alzheimer, mas esta pesquisa está entre as primeiras a mostrar que isso pode retardar o início da doença. O DHA é encontrado em peixes, ovos, carnes orgânicas, microalgas, alimentos fortificados e suplementos alimentares.

"Estamos muito excitados com esses resultados, que nos mostram que mudanças simples na dieta podem alterar positivamente a maneira que o cérebro trabalha e levar à proteção contra a doença de Alzheimer," disse Frank LaFerla, professor de neurobiologia e comportamento e co-autor do estudo.

LaFerla e sua equipe estudou os efeitos do DHA em camundongos criados para desenvolver as placas e emaranhados associados com a doença de Alzheimer. Camundongos no grupo de controle foram alimentados com uma dieta semelhante a uma dieta típica americana, com a proporção de ácidos graxos ômega-6 para ácidos graxos ômega-3 sendo de 10:1. Estudos indicam que a proporção certa é importante para manter a saúde, sendo o ideal entre 3:1 até 5:1.

Camundongos nos três grupos de teste foram alimentados com uma taxa de 1:1 de ácidos graxos ômega-6 e ômega-3. Um desses grupos recebeu suplemento de DHA apenas, e dois grupos receberam DHA mais ácidos graxos ômega- 6. Depois de três meses, os camundongos em todos os grupos de teste tiveram níveis menores de beta amilóide e tau do que os camundongos no grupo de controle, mas em nove meses, apenas camundongos na dieta DHA tiveram níveis menores de ambas as proteínas. Esses resultados sugerem que DHA trabalha melhor por si só do que quando em dupla com ácido graxo ômega -6 .

Os cientistas também determinaram o mecanismo pelo qual o DHA leva a níveis mais baixos de beta-amilóide. Eles descobriram que o DHA leva a níveis menores de presenilina, uma enzima responsável pela redução da beta-amilóide de sua proteína precursora amilóide. Sem presenilina, o beta-amilóide não pode ser gerado. Quando se acumulam em placas, o beta-amilóide interrompe a comunicação entre as células e leva a sintomas da doença de Alzheimer.

Este último estudo aumenta as evidências crescentes que a dieta e mudanças no estilo de vida podem reduzir o risco de desenvolver a doença de Alzheimer. LaFerla e sua equipe mostraram anteriormente que pequenas mas repetidas sessões de aprendizado podem retardar a progressão física da doença de Alzheimer em camundongos, sugerindo que os idosos podem retardar o início da doença mantendo suas mentes ativas. A equipe também descobriu que hormônios de estresse parecem exarcebar rapidamente a formação de placas e nós, sugerindo que administrar o estresse pode retardar a progressão da doença de Alzheimer.

"Combinando estímulo mental, exercícios, outros consumos dietéticos e evitando estresse e fumo, acreditamos que as pessoas possam melhorar significativamente suas chances contra a doença,"disse Kim Green, cientista e autor principal dos estudos sobre DHA, aprendizado e estresse.

A doença de Alzheimer é uma desordem progressiva neurodegenerativa que afeta mais de 4,5 milhões de adultos nos Estados Unidos. O número pode alcançar 20 milhões em 2050. Cinco porcento das pessoas com mais de 65 anos têm a doença de Alzheimer, e até metade das pessoas são afetadas por volta dos 80 anos.


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