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Notícias abril 2015

Por um tratamento mais específico

D'OR INSTITUTE FOR RESEARCH AND EDUCATION, 13/04/2015

Pacientes com câncer estão mais expostos à pneumonia grave. Estudo de pesquisador do IDOR sugere que ajustes no tratamento deste grupo e melhor identificação de pacientes em risco podem reduzir a mortalidade.

Pacientes com câncer, além da morbidade gerada pela própria doença, estão mais vulneráveis a adquirir outras enfermidades que a população em geral. A pneumonia é a infecção mais comum neste grupo. Um estudo conduzido por pesquisadores do IDOR, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), do Instituto Nacional do Câncer (Inca), do Hospital Sírio Libanês e da Santa Casa da Misericórdia de Porto Alegre, analisou os fatores associados à pneumonia grave em pacientes com câncer hospitalizados e sugere novos protocolos de tratamento, mais personalizados, para reduzir a mortalidade por essa razão.

Até o momento, existiu na comunidade médica um consenso de que a maior prevalência de casos de pneumonia entre os pacientes com câncer se devia primeiro à debilidade do sistema imune dessas pessoas e, segundo, à ideia de que, por transitarem com frequência em ambientes hospitalares, estes pacientes estariam mais expostos a bactérias multirresistentes (superbactérias) que podem causar pneumonia.

Os pesquisadores resolveram investigar essas premissas e o resultado foi diferente do consenso atual. Ao analisar dados de 325 pacientes com câncer internados com pneumonia em três grandes centros médicos no Brasil, eles encontraram uma baixa de taxa de bactérias multirresistentes nos doentes -menos de 14% apresentavam alguma infecção do tipo.

O dado indica que a presença de bactérias multirresistentes, apesar de muito importante, não é tão significativa quanto se pensava para explicar o surgimento da pneumonia nesse grupo. "Na clínica diária já tínhamos essa percepção e estudo veio para comprovar", conta o pesquisador do IDOR Jorge Salluh, líder do estudo publicado na Plos One. "A gravidade da doença e a disfunção dos órgãos parecem ser os melhores fatores de predição de mortalidade do que a presença de patógenos multirresistentes."

A descoberta pode levar ao desenvolvimento de métodos de tratamento mais eficazes, que podem diminuir a mortalidade dos pacientes com câncer afetados por pneumonia. "Como existe essa ideia de que as bactérias multirresistentes têm um grande peso, o tratamento atual é padronizado. Aplicamos para todos os pacientes dois ou três antibióticos que cobrem esses organismos resistentes", explica Salluh. "Mas a incidência dos diferentes tipos de bactérias é variável de acordo com região do mundo e nem sempre isso é levado em consideração."

Este tratamento mais amplo é a primeira opção dos médicos porque o resultado dos exames para detecção de quais patógenos estão infectando o paciente pode levar até 72 horas. Sem poder esperar este tempo, o médico tem que escolher o protocolo de tratamento que cobre um amplo espectro de bactérias.

Este tratamento, porém, pode gerar efeitos colaterais, além de induzir a resistência das bactérias aos antibióticos. Quando expostas frequentemente aos medicamentos, as bactérias se adaptam e as substâncias deixam de ter efeito sobre elas. A resistência das bactérias aos antibióticos é um dos graves desafios de saúde mundiais, considerado "uma crise global" pela Organização Mundial de Saúde (OMS). "Cria-se um ciclo vicioso, que não tem fim", pontua o médico.

O pesquisador agora estuda novas formas de tratamento que possam solucionar essa situação. Uma das frentes é a testagem de métodos de detecção de patógenos mais rápidos, que ofereçam resultado em até 6 horas e possibilitem que o médico aplique apenas os antibióticos específicos contra os microrganismos identificados.

Outra ação, já em andamento, é fazer um estudo com um número maior de centros médicos e pacientes para desenvolver modelos de previsão para identificar os principais fatores ligados ao maior risco dos pacientes estarem realmente infectados com bactérias multirresistentes.

Com esse modelo, seria possível selecionar apenas os pacientes com maior risco para receber o tratamento com antibióticos voltados para superbactérias. "Nosso objetivo é chegar a um tratamento que atenda melhor as especificidades de cada paciente", conclui Salluh.

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